
São muitas as opiniões, contraditórias, a respeito do uso de andadores para bebês e crianças. Pais e familiares fiquem atentos aos detalhes que seguem abaixo.
Crianças podem usar andadores?
O grande erro dos pais, por puro desconhecimento, é acreditar que o andador ajudará a criança a começar a andar. Atenção! Isso não é verdade! O andador traz inúmeros prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor da criança.
Por que não é bom?
Vejamos alguns motivos:
1. Desde o nascimento a criança passa por etapas de desenvolvimento no qual cada fase serve de base para a próxima. Primeiro o bebê sustenta a cabeça, depois rola o corpo para os dois lados, arrasta-se de barriga para baixo, senta-se com apoio, depois sem apoio, engatinha, ficam em pé para então iniciar os primeiros passos.
2. Em todo desenvolvimento motor a criança explora o ambiente e os objetos que estão a sua volta, desenvolvendo paralelamente o aspecto neurológico. O bebê irá interagir com os objetos, observará as ações dos adultos e imitá-los.
3. O andador força a criança a saltar várias destas etapas essenciais para o seu desenvolvimento, principalmente quando os ansiosos pais sequer esperam o bebê ter firmeza no seu corpinho e já o colocam no aparelho. O andador impede a criança de experimentar as quedas naturais do início da aprendizagem de andar, assim, a aquisição do equilíbrio é limitado e pode ainda deformar a estrutura óssea da perna, que impedirá a criança de desenvolver uma marcha fisiológica.
4. A criança pode apoiar os pés no chão de maneira inadequada, dobrando o dorso dos pés para trás, correndo o risco de provocar lesões nos dedos dos pés e na região do tornozelo.
5. Por pular etapas, o andador atrasa o início da marcha. Se o bebê é pequeno para o andador, usará somente as pontas dos pés para movimentar-se, o que poderá causar alguns problemas ósseos, musculares e tendinosos, além do atraso da marcha, dentre outros. E ainda que ele tenha o tamanho proporcional ao andador, por apresentar-se quase sentado, com as perninhas flexionadas, desenvolverá uma marcha completamente inadequada.
6. A sensação de liberdade que o andador oferece é ilusão. Ele não permite que a criança explore adequadamente o espaço em que se encontra. Um simples objeto no chão que desperte a atenção do bebê passa a tornar-se algo inalcançável para o pequeno, pois o andador não oferece condições para que ele chegue à peça, podendo provocar quedas.
7. Outro perigo é a falsa sensação de segurança que o andador transmite a quem está tomando conta da criança. Como ela está presa no andador, as pessoas tendem a deixá-la por mais tempo sozinha, quando na verdade deveria acontecer justamente o contrário. O bebê provavelmente fica mais seguro se está no chão, desde que o ambiente tenha sido preparado para ele.
8. O bebê que não usa o andador poderá sentar-se no chão, engatinhar ou apoiar-se nos móveis até chegar ao objeto desejado. Lembre-se: enquanto manuseia objetos e brinquedos, o bebê está desenvolvendo suas capacidades motoras e cognitivas, importantes para toda a sua vida.
9. Os acidentes que podem provocar graves lesões nas crianças são outro problema relacionado ao uso do andador. Os acidentes mais comuns são as quedas quando as crianças usam os pés para se impulsionarem para trás e batem com a cabeça, e ainda as quedas em degraus.
10. Algumas crianças que utilizam andador por muito tempo tornam-se mais inseguras no momento em que precisam andar sem qualquer apoio, demorando mais tempo para poder andar sozinhas.
De tão prejudiciais e perigosos para as crianças, a venda de andadores em países como o Canadá já é proibida desde 2004.
Portanto, pais e familiares, o melhor mesmo é deixar o seu bebê explorar o ambiente, logicamente com cuidado, e se divertir no chão ou em um ambiente preparado para ele.
SUGESTÕES:
Se você realmente deseja presentear, estimular ou mesmo ver a alegria do seu filho com um novo brinquedo e, além disso, quer contribuir com o desenvolvimento dele, sugiro um outro tipo de andador no qual a criança empurra o equipamento (como um carrinho), e não fica "presa", sentada nele.
Este equipamento irá estimular o equilíbrio, fortalecer a musculatura de tronco, melhora as reações de proteção, evitando que a criança fique "dependente" fisicamente do andador, ou tenha acidentes, alterações musculares, ósseas e tendinosas (dentre outras complicações já citadas), pois com esse andador de empurrar a criança pode variar suas posturas, ficando em pé, pode largar o andador e abaixar-se para pegar algum objeto no chão, voltar a segurar no andador e se locomover, estimulando toda a sua psicomotrcidade.

Liliane Lucena Guireli
Fisioterapeuta



